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  • Suelen Brandão

Tudo vai ficar bem.

Nascemos e crescemos, brincamos de casinha, corremos na rua brincando de pega-pega, brincando de esconde-esconde, elefante colorido, amarelinha, pulamos corda como se não houvesse amanhã, se você for da geração anos noventa vai entender do que estou falando, a infância vai passando, a adolescência chega, e quando menos se espera finalmente chegamos a vida adulta que tanto sonhamos, que tanto esperamos, é como se finalmente tudo fosse "ficar bem", porém, nada fica bem, os boletos chegam, as contas vem e vão tão frequente como as chuvas de Inverno, passamos inúmeras coisas enquanto os anos vão se passando sem dó, quando menos se espera está chorando no banheiro do trabalho que você tanta odeia, refletindo o que está fazendo com sua vida, afinal parecia muito fácil ser adulto enquanto víamos outros adultos vivendo suas vidas, parecia legal ser mais velho, parecia divertido ter poder de escolha sobre tudo, só parecia.

Não sei vocês, mas percebi rapidamente que era um saco ser adulta, precisava tomar decisões sensatas não só baseadas em minhas vontades, de repente eu não podia fazer mais o que eu queria, de repente tudo o que era divertido foi por água abaixo, e eu me vi obrigada a ser adulta, sabia que esse dia chegaria então quero contar sobre quando desisti do curso dos meus sonhos.

Não era a melhor fase da minha vida nem de longe, acabei saindo de casa muito nova, achando que seria bom, achando que seria simples e fácil, pois bem, não foi nada, nem perto do que pensei. Me inscrevi para um fies, um programa que basicamente paga sua faculdade pra você, porém depois de formado, você precisa devolver todo o valor com juros mensalmente durante anos. Para mim era a única maneira de cursar uma faculdade presencial, e eu consegui, fui a primeira aprovada para Design de Moda em uma faculdade da Serra Gaúcha que não me recordo o nome certo, era o curso dos meus sonhos, mas não era na Instituição que eu havia sonhado por anos, porém, era o curso que eu sonhava. Mas, eu não morava mais com os meus pais, estava em uma cidade onde não conhecia ninguém, então eu me vi sendo adulta pela primeira vez aos dezessete anos, tomando uma decisão difícil sozinha, sem nenhum apoio, ou conselho.

O fato era, não tinha como eu fazer aquele curso, eu não tinha como pagar um meio de transporte para ir até a faculdade, que ficava em uma cidade próxima, nem tinha como adquirir os materiais, um curso de Design de Moda iria requerer muitos materiais caros que eu não tinha como comprar e muito menos manter durante toda a graduação, sem contar todo o resto que teria que desembolsar, você pode estar pensando, quem quer dá um jeito, é verdade, mas acho que eu não queria tanto assim, estava suficientemente apavorada com tantas mudanças que já tinham acontecido, eu não precisava de mais uma naquele momento.

Deixei pra lá, tomei a decisão de desistir da bolsa, desistir naquele momento não me pareceu para sempre, as coisas poderiam melhorar um dia, e quem sabe um dia eu faria Design de Moda sem tantas preocupações, quem diria que um mês depois eu ficaria muito doente e precisaria voltar pra casa, tem um texto sobre isso aqui no Blog.

Tudo aconteceu por uma razão, cada decisão que tomei, cada detalhe, logo depois eu me vi muito perdida, não sabia o que queria fazer da vida, não sabia mais quem eu seria, eu não tinha como pagar uma faculdade presencial, e tudo ficou bem, mesmo que eu ainda não tenha feito faculdade alguma aquela foi a decisão mais difícil e a que mais doeu, mas ela foi fundamental para o meu crescimento, para que eu realmente virasse adulta, e entendesse que nem tudo sai perfeito como planejamos, essa decisão me trouxe para o lugar onde estou agora.

O que eu quero dizer é:

Muitas vezes eu me culpei, me culpei por não ter aceitado certos empregos, e por ter aceitado outros, por ter trancado duas faculdades, por desistir de ser estilista, por desistir do meu violino, me culpei por desistir de lutar pelas coisas que eu queria na minha vida, está tudo bem não saber onde quer estar, não saber onde se deve estar, ou qual caminho percorrer, algumas pessoas se encontram aos vinte anos, outras aos trinta, algumas só realmente começam viver depois dos cinquenta, e está tudo bem, cada ser é diferente, cada pessoa tem seu próprio tempo e seu próprio caminho, não se compare com outras pessoas ao seu redor, se concentre em você mesmo em se estudar, buscar entender as coisas que você gosta de fazer e as coisas em que você é bom, daí pode ser que encontre a vocação de toda a sua vida, porém não tenha pressa.

A verdade é que uma hora ou outra você encontra seu caminho, você se encontra, nunca será tarde demais, sempre será no momento e na hora certa, já tive muito medo, medo por nunca achar algo que eu amasse fazer, já tentei dois cursos completamente diferentes na faculdade e não deram certo, já refleti sobre não ter terminado nenhum deles, mas sempre cheguei a conclusão de que jamais me formaria em algo que não combina comigo, já tentei fazer a mesma coisa que outras pessoas ao meu redor fizeram achando que eu era igual a elas, como cursar duas faculdades ao mesmo tempo, como fazer um curso que eu detestava só porque minha mãe e minha avó são formadas nisso e achei que esse seria meu caminho também, mas não é assim que funciona, seu caminho é único, você é único como pessoa e pode ser que demore anos pra encontrar seu caminho, pode ser que você encontre rapidinho, independente da hora ou do momento que isso acontecer, não se esqueça, quando encontrar seu caminho permaneça nele até chegar ao final, não tenha tanto medo, não se culpe tanto pelas decisões tomadas ao longo da vida, está tudo bem se formar mais tarde que todos seus colegas de escola, tudo bem desistir de um curso onde não é seu lugar, tudo bem se você decidir nunca mais estudar, porém nunca desista de crescer como ser humano, de estudar você mesmo e seu coração, não desista de se encontrar na sua vida.

Ás vezes estamos a um passo de nos encontrar, de nos encontrar emocionalmente, profissionalmente, no amor, em todas as partes da nossa vida, mas se você desistirmos por um segundo pode ser que percamos o encontro que tanto esperamos.


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